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Embarcando na Tourette

Um tempo atrás eu trabalhava como estagiário de RH de uma empresa de call center… que aliás, prefiro não divulgar o nome. Afinal, só faço boa propaganda de coisas fodas. E empresa que trata funcionário como lixo, também tem que ser tratada como tal.

Essa empresa fica – por enquanto – lá no Largo da Concórdia, ao lado da estação do Brás.

Aquela estação é um inferno… gente correndo de um lado pro outro, principalmente quando percebem – ou são avisados – que o trem está chegando ou saindo. Parece a farra do boi de Pamplona. E eu que não tinha nada a ver com aquela pica (que é do axpira), só tinha que desviar freneticamente do povão.

E o cheiro de pão de queijo então??? Mamma mia… que coisa nojenta, entrava até no cérebro.

E falando em cérebro, minha professora da faculdade falava muito dos livros do Oliver Sacks, um psiquiatra com histórias fantásticas. E a forma em que ele passa essas histórias pro papel é genial, aquilo é arte.

É uma leitura agradabilíssima e fácil, tanto para profissionais quanto para leigos… Eu tinha muita vontade de ler um livro dele, de tanto que ouvia na sala de aula.

E voltando ao Brás, não é só de caos que aquilo vive… dentro da estação existe uma das quatro bibliotecas gratuitas da parceria entre o Instituto Brasil Leitor e o Metrô-SP, chamada Embarque na Leitura.

 

Muitos livros bons

 

Dei uma parada lá e achei alguns livros do Sacks no catálogo… dia seguinte já levei as cópias de alguns documentos e fiz meu cadastro.

E já saí com o Um Antropólogo em Marte, que conta uns 7 casos passados pelo Sacks. Um deles contava a história de um cirurgião que sofria da Síndrome de Tourette.

Você conhece essa síndrome?

“A síndrome de Tourette ou síndrome de la Tourette, também referida como SGT ou ST, é uma desordem neurológica ou neuroquímica caracterizada por tiques, reações rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorrem repetidamente da mesma maneira” – Wikipedia

O Oliver Sacks ficou muito interessado em saber como era possível que um Tourético pudesse exercer uma função tão precisa como a de um cirurgião, então passou a acompanhá-lo no seu dia-a-dia.

Para se ter uma idéia da gravidade da síndrome, dê uma olhada nesse vídeo:

 

 

Parece incontrolável, certo?

O cirurgião tinha uns espasmos tão repentinos e repetitivos, que parecia impossível ter condições de operar alguém. Mas era uma pessoa muito respeitada e requisitada, tanto que muitos queriam fazer cirurgias só com ele.

Quando estava concentrado na sua função, tudo corria tranquilamente… sem tiques, sem espasmos. Contanto que nada saísse do planejado, como alguma interrupção. Senão a síndrome atacava de novo.

Eu acho um tanto quanto aflitivo sempre que me coloco no lugar de uma pessoa que sofre disso. Principalmente por pensar que não se tem o que fazer, só conviver com o distúrbio.

Mas ficam as dicas aí… Embarque na Leitura, Oliver Sacks e os Touréticos.

Para muitos, novidades.

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