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A Consciência ATEA

14/12/2010 2 comentários

Nos últimos dias tem aparecido em diversos jornais a “Campanha dos Ônibus” promovida pela ATEA – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos. Uma campanha que fez sucesso em outros países e que a Associação tenta, desde a sua fundação, aplicar aqui no Brasil.

E finalmente conseguiram a verba – de um doador anônimo, por meio da verba da entidade e de doações.

O resultado foi esse:

Campanha dos Ônibus

Em primeiro lugar, cria-se um slogan que diz “Diga não ao preconceito contra ateus” – e se esquece que na ATEA existem agnósticos também.

Em segundo lugar, vamos analisar as imagens e mensagens da campanha, mas antes: Qual o público alvo? Qual o nível de informação desse público? As mensagens são facilmente interpretadas ou podem causar confusão?

Chaplin e Hitler: Postos lado a lado pelo bigodinho? Um é ateu (ou seria agnóstico?), o outro é cristão. Ok, quem já se interessou em saber sobre a religiosidade no Nazismo, sabe que Hitler era de fato um cristão. Mas aí entramos na questão da associação de imagem e conceito – O que as pessoas (público alvo) sabem da vida de Chaplin? E qual a tremenda necessidade de associar religiosos a Hitler?? ‘Ah… porque religião não define caráter’. Ta certo, mas pra que tanto radicalismo na hora de pedir direitos iguais?? Temos que dar o troco na mesma moeda ou temos que fazer diferente? Queremos igualar a podridão dos ataques de baixo nível? TODA relação a Hitler e ao Nazismo tem que ser feita com cautela para o tiro não sair pela culatra.

Atentados de 11 de Setembro: Mais uma imagem para chocar. TODOS sabem que esses atos foram cometidos por religiosos extremistas. Também sabemos que não tiveram apoio de muçumanos, católicos, evangélicos, judeus, ateus e agnósticos – entre outros – que não concordam com a violência dessa Jihad Islâmica. Ao lado temos ‘Se Deus existe, tudo é permitido’ – Vamos ver: Primeiro, da a entender que a ATEA (e podem facil e erradamente entender, os ateus) está dizendo que religiosos são capazes de quaisquer atos em nome dos seus deuses – assim como o Datena disse que nós somos capazes de tudo pela falta de deus no coração. Ou seja, não diz que aqueles terroristas são religiosos, mas parece dizer “religiosos são terroristas em potencial”. O último absurdo dessa mensagem é colocar a distorção de uma frase de Dostoiévski. Não critico pela distorção, mas pelo objetivo a ser alcançado com ela. O público alvo da sua campanha conhece o autor? Sabe o contexto em que foi usado?
Muito tempo atrás eu resolvi fazer parte de uma comunidade do Orkut que achei muito boa, pela ironia e sarcasmo: Não li Dostoiévski – “Comunidade criada para você que faz parte desta parcela tão minúscula da população brasileira que nunca leu Dostoiévski.”
Ou seja, mensagem que não é facilmente entendida e que passa agressividade… mais uma vez.

– Um presidiário lendo a Bíblia: Talvez a mais café-com-leite da campanha. Mas é uma questão do seu ponto de vista em relação aos benefícios das religiões, principalmente em presídios. Acredito que até mesmo o ateu Dráuzio Varella concordaria comigo, quando digo que há sim benefícios. Como meu objetivo não é discutir psicologia e sociologia aqui, vou deixar minha crítica mais voltada ao lado publicitário dessa peça: Poderia ter sido melhor trabalhada, a mensagem não é clara (lembre-se do público alvo). Discordar em partes da frase, é uma questão pessoal.

– Somos todos ateus com os deuses dos outros: Agora sim, uma a ser salva. Ela não é agressiva, mas sim informativa. É uma peça que eu imagino que mais faça as pessoas pensarem de uma forma positiva sobre o ateísmo… por mais que provoque um simples “hummm…” na cabeça das pessoas. Outras pessoas acham que ela poderia ter sido melhor trabalhada também, mas na minha opinião ela está boa.

Ok, em terceiro lugar, gostaria de analisar o fracasso da campanha: Ela era pra circular em ônibus? Circulou? Não né? Então que pseudo-sucesso é esse? Não vejo como possa ter passado na cabeça dos idealizadores, que Hitler e 11/9 circulariam livre e alegremente pelos ônibus das capitais do país mais católico do mundo. E então a “Campanha dos Ônibus” foi parar nos jornais – e talvez na Justiça. Mas não está andando nas ruas. Segundo o Sottomaior, a campanha é um sucesso, mesmo que paradoxalmente. Na minha opinião – e não só minha – foi uma campanha desesperada, mal preparada e mal executada. Deu resultados? Deu… mas poderia ter sido melhor se não tivesse sido feita com esse tom desnecessariamente agressivo (que muitos ateus não concordam, mas não se colocam no lugar de pessoas mais neutras e pessoas religiosas).

Outro ponto crítico, é a ATEA realizar uma campanha dessa magnitude sem que os próprios associados tivesses sido consultados. Não que eu ache que o Sottomaior deva pedir permissão para os associados, mas será que o diálogo não existe nem em uma das maiores associações de ateus do país? Não houve uma enquete, e-mail, aviso… nada! E então, de repente aparece a campanha falando por mim. Eu faço parte da ATEA. Não é uma questão de estatuto… mas de respeito aos seus associados. Afinal, falar EM NOME de todos nós é uma responsabilidade muito grande.

Não vou reproduzir o diálogo que tive com o Sottomaior, mas o resultado positivo, segundo ele, foi a exposição na mídia, a quantidade de entrevistas que ele deu e o aumento de associados à ATEA.

Pra finalizar, uma última opinião: Vamos deixar um pouco esse ego de lado. É importante que a ATEA ganhe novos associados, afinal, mais pessoas terão acesso às informações e ações. Mas não façam isso a qualquer custo. Vamos usar a mídia como um meio, não como um fim. E nem toda mídia é positiva… temos a Geyse Arruda aí para servir de exemplo.

A ATEA está aí para unir ou dividir ateus e agnósticos?

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The Atheist Experience

Corte sua venda

Existe um programa semanal nos EUA chamado The Atheist Experience, transmitido de Austin – Texas. Obviamente, a discussão é sobre religião e ateísmo.

Eles mantém uma linha para que as pessoas possam ligar e participar do programa. Muitas vezes essas ligações são de religiosos dizendo ter a prova de que seu deus existe… só que geralmente são pessoas muito mal preparadas que acabam encontrando pessoas bem preparadas para derrubar as suas teorias, o que geralmente fica muito engraçado, como nesses dois videos:

 

 

 

Site do Atheist Experience